Alimento Circular #1: Reuse & Lleig
Conheça Reuse e Lleig, dois projetos inovadores de economia circular que dão uma nova vida a alimentos do nosso dia a dia.
Quando falamos sobre Economia Circular, é comum que materiais recicláveis fiquem em evidência, mas a verdade é que existem diversas inovações pensadas a partir de resíduos orgânicos. Hoje, você conhecerá projetos inovadores de economia circular que dão uma nova vida a alimentos do nosso dia a dia.
Reuse: Um recipiente para alimentos feito de cascas de trigo
Criado pelo estúdio de design singapuriano Forest and Whale, o Reuse é um recipiente que pode ser consumido ou compostado após seu uso.
Para produzir o Reuse, primeiro a casca do trigo é moída em partículas bem pequenas, e então, se adiciona uma pequena quantidade de aglutinante natural e água. Após isso, a mistura é prensada em dois moldes em alta temperatura, o que faz com que o recipiente ganhe seu formato final e esteja pronto para ser utilizado.
O Reuse deve ser usado apenas uma vez e pode ser consumido depois de vazio, mas, como ele não pode ser tão saboroso, seus criadores recomendam que ele seja inserido em uma composteira – seu processo de compostagem dura cerca de 30 dias. Sua tampa é feita de polihidroxialcanoatos (PHA), um composto à base de bactérias com propriedades semelhantes às do plástico. Ela não é comestível, mas também pode ser compostada – seu processo dura cerca de seis semanas. Já na natureza (ou até mesmo no mar), o prazo para que ela se biodegrade totalmente é de três meses.
O Reuse ainda é um protótipo, e a Forest and Whale espera lançá-lo no mercado ainda em 2021.
Lleig: Quando alimentos se transformam em produtos de autocuidado
A designer espanhola Júlia Roca Vera criou uma linha de cosméticos, batizada de Lleig (em homenagem à palavra catalã para feio), a partir de frutas que eram descartadas por motivos puramente estéticos, para incentivar as pessoas a fazerem uso dos resíduos. A linha inclui quatro produtos, todos feitos com uma única fruta, que havia sido descartada por seu produtor por não atender às normas de qualidade cosmética dos supermercados. Calcula-se que mais de um terço da produção hortícola total da União Europeia se perde precisamente por esta razão.
Júlia conta que pegou uma única laranja para ver quantos produtos diferentes conseguiria fazer com apenas uma unidade. Dessa laranja, ela extraiu a polpa e os óleos essenciais para criar um hidratante e um sabonete, raspou a casca para formar um potpourri (que é um recipiente utilizado para perfumar o ambiente) e espremeu o suco para beber.
A linha foi projetada para ser usada como parte de um ritual de um “banho holístico”, que não possui apenas o propósito de limpar o corpo, mas também está ligado ao bem estar e autocuidado.
Após a limpeza, ao deixar o hidratante absorver, Júlia beber o suco para hidratar e nutrir o corpo. “Na Grécia Antiga, as pessoas costumavam comer frutas durante os banhos termais para se hidratar”, explica ela.
Júlia é aluna da Escola de Design e Engenharia de Barcelona e, além da laranja, obteve sucesso em com outras frutas e vegetais comumente descartados, como maçãs, bananas ou cenouras. Para obter os alimentos, ela trabalhou em parceria com uma empresa social local chamada Espigoladors, que evita que frutas e vegetais descartados sejam desperdiçados.
“A natureza nos faz crescer em diferentes formas, mas criamos um código binário, um critério que classifica os humanos – e os vegetais, neste caso – como bonitos ou feios”, explicou ela. “E isso precisa mudar, para que as pessoas dêem mais importância à qualidade do que à aparência.”







